Ismael Alexandrino passa a defender fim da escala 6×1
Deputado anunciou no início da noite da última segunda-feira (25) uma mudança em sua posição sobre a PEC que altera a escala de trabalho; "O trabalhador brasileiro está cansado. Cansado de trabalhar muito e, ainda assim, sentir que a vida passa correndo", disse

O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD-GO) anunciou no início da noite da última segunda-feira (25) uma mudança em sua posição sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 no Brasil. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar goiano declarou apoio ao fim do modelo, desde que acompanhado de uma “transição segura” para empregadores e sem redução salarial para os trabalhadores.
A virada de Ismael Alexandrino ocorre em meio a um movimento mais amplo na bancada federal de Goiás. Levantamento do jornal O Popular indica que metade da bancada goiana já se diz favorável à redução da jornada de trabalho, embora parte dos parlamentares ainda evite se posicionar abertamente. Com a declaração pública do deputado, ele passa a integrar o grupo de parlamentares goianos que saíram do campo da resistência e assumiram apoio à proposta.
“O trabalhador brasileiro está cansado. Cansado de trabalhar muito e, ainda assim, sentir que a vida passa correndo”, escreveu Ismael em seu perfil no Instagram. O deputado, que inicialmente manifestava preocupação com os impactos da mudança sobre pequenos negócios, afirmou ter ouvido trabalhadores e empreendedores antes de rever sua posição. “Política se faz ouvindo. E quando a sociedade fala, quem tem mandato precisa escutar”, acrescentou.
A mudança de posição de Alexandrino reflete a pressão crescente sobre parlamentares da centro-direita diante da repercussão do tema junto ao eleitorado. A repercussão negativa nas redes sociais e entre trabalhadores levou deputados federais de Goiás a recuarem do apoio a uma emenda que poderia adiar para 2036 o fim da escala 6×1.
Regra de transição
O posicionamento Ismael Alexandrino coincide com um avanço decisivo nas negociações em torno da PEC no Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta segunda-feira (25) que o governo aceitou estabelecer uma regra de transição para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Pelo acordo costurado entre lideranças da Câmara e o governo federal, a jornada seria reduzida em duas etapas: uma primeira queda de 44 para 42 horas semanais em 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, com a redução final para 40 horas ocorrendo 12 meses depois. O mesmo prazo de 60 dias se aplicaria à mudança da escala 6×1 para o modelo 5×2, com dois dias de folga a cada cinco trabalhados.
“A transição se dará dentro de um ano, não mais do que isso. Nós faremos a redução de 44 horas para 40 em um ano, após essa primeira redução de duas horas. Isso atende um apelo da classe trabalhadora, também escuta o setor produtivo”, afirmou Motta ao anunciar o acordo.
O formato gradual da transição vai ao encontro das condições defendidas por Ismael Alexandrino em sua declaração. O parlamentar ressaltou que o caminho não pode ser “a imposição irresponsável”, mas também não pode significar ignorar a realidade de milhões de trabalhadores que operam sob o regime atual.
Para ser aprovado na Câmara, o texto precisa passar pela comissão especial e, em seguida, obter ao menos 308 votos no plenário em dois turnos. Depois, a proposta segue para o Senado, onde precisa de no mínimo 49 votos. A expectativa é que o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) seja votado na comissão especial na quinta-feira (28) e levado ao plenário na mesma data.




